adão e eva
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Tenho aprendido muito acerca de criacionismo com livros, meditando e lendo a Bíblia. Tenho aprendido muito também enfrentando dilemas, corrigindo posicionamentos e, acima de tudo, tentando responder perguntas. Procurar uma resposta me traz enorme aprendizado, mesmo que após várias tentativas eu ainda não consiga conjecturar muitas questões.

No criacionismo bíblico, cremos que Deus orquestrou o início da vida em nosso planeta. E somente Deus tem a “foto” original do quebra-cabeça que estamos montando. Às vezes, temos uma peça solta aqui e lá, outras se encaixam perfeitamente, mas a verdade é que não conseguimos vislumbrar a imagem toda.

Estava palestrando para um grupo de pessoas, e o público era misto. Famílias com seus filhos, jovens e idosos. Quando abri para perguntas, no meio do público uma mãozinha pequena, branca e gordinha se ergueu. Era uma criança com seus sete a oito anos. E ele queria muito perguntar, pois acenava com as mãos de forma incansável. Quando dei o espaço para ele falar, a pergunta me surpreendeu e fez todos rirem no local. Ele queria saber se “Adão ia ao banheiro”. Na verdade ele usou uma palavra bem coloquial, o que fez com que eu também desse uma boa gargalhada.

A pergunta podia entrar naquela classe das “inúteis curiosidades”, como as clássicas “Adão tinha umbigo?”, “Qual era a cor de Eva?”, entre outras. Mas vi um grande potencial teológico na pergunta e decidi responder. Na hora prontamente respondi que sim, e sabia que viria um nova pergunta, pois já havia compreendido qual era a linha de pensamento do menino da mão gordinha. Ele queria saber se havia morte antes do pecado, pois se Adão comia, matava células dos alimentos; se havia células mortas, havia morte, então a confusão estava feita. Era um paradoxo excretor edênico. Antes de mais nada quero indicar um texto em que falei sobre esse assunto de forma resumida.

Falarmos de vida e morte com as definições biológicas ou sociais pode complicar nossa compreensão se aplicarmos esse princípio à Bíblia fora do contexto. No que se refere a seres vivos, vida e morte são bem definidas pela Bíblia. Mas, quanto à função dos alimentos, a coisa muda um pouco. As plantas são consideradas “alimento”. Para a Bíblia, a planta não morre quando é ingerida. Apenas cumpre seu papel na criação, que é o de alimentar o ser humano e os animais. Em Eclesiastes 3:19, 20 vemos que o autor define a função de cada coisa, e que as plantas têm a função de alimentar os seres humanos e os animais. Logo, aqui nesse texto, ela não entra no contexto de “seres vivos”, mas no contexto de “alimento”.[1]

Quando comemos uma fruta, “matamos células” dessa fruta. O material ingerido deve ser devolvido à terra para reciclagem – ciclo biológico. Cada átomo que ingerimos ou é excretado ou é mantido no organismo. Nenhum átomo é desintegrado. Os átomos circulam entre o organismo e o ambiente.[2]

O fato de que as plantas tinham sido apontadas como alimento para animais faz com que seja muito óbvio que a “morte” ocorreu no Jardim do Éden, a “morte” das plantas. Cada grão, cada vegetal carnudo enraizado consumido como comida representava a vida de uma planta adulta. Aqui era a “morte” sem a sombra da morte. A morte, como é conhecida, antes da queda do homem, apenas significava que o protoplasma vivo de frutas, nozes, grãos, legumes e ervas era apropriado por algum animal para servir como uma refeição gostosa. A substância viva da planta “morre”, é quebrada em substâncias mais simples, ou seja, é decomposta e, em seguida, usada na síntese de tecidos animais.

Aparentemente, não houve morte de animais no Éden. Podemos nos perguntar como Adão, em seu cuidado do jardim, poderia evitar pisar em uma formiga ou esmagar a pequena larva de um inseto, mas isso já entra na questão das curiosidades inúteis de que falamos anteriormente. Assim, a resposta à nossa primeira pergunta é “sim”; houve “morte” e decomposição de materiais de vida no Éden, mas essa “morte” foi apenas no reino vegetal.[3]

Lemos em Gênesis 2:1: “Assim os céus e a terra foram terminados.” Mais uma vez, em Hebreus 4:3b, lemos: “Embora as Suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo…” O ensinamento desses versos parece expressar o pensamento de que depois que a primeira criação original foi concluída na sexta-feira não havia segunda criação tão profunda como aquela que seria necessária para reprogramar os corpos de todos os animais, a fim de fazer a manipulação de grande volume de materiais indigestos possível e instalar um sistema para a extração e eliminação de resíduos sólidos e líquidos.

A dieta era fisicamente a mesma antes da queda, como é a mesma hoje. Portanto, parece razoável supor que o padrão básico do corpo de Adão foi o mesmo em seu equipamento de sistemas de órgãos como é com o nosso corpo.

A Bíblia também conecta a questão do sangue à vida.[4] Podemos ver isso claramente em Gênesis 9:4 e Deuteronômio 12:23. Sendo assim, as plantas não entrariam nesse contexto de “vivo ou morto”, podendo sem problema ser ingeridas por Adão e Eva no Éden. Essas plantas passariam por um processo complexo de digestão e seriam excretadas pelo processo “malcheiroso” que conhecemos.

Já ouvi alguns criacionistas dizerem que não havia excreção no Éden e os seres humanos absorviam todos os nutrientes do que era ingerido. Então, não tinha nada que sobrava. Afinal de contas, “cocô e paraíso não combinam né?”. 

A comida de ser humano e dos animais é constituída por hidratos de carbono, gorduras, proteínas, vitaminas, minerais e água. Uma vez que esses produtos alimentares são os mesmos para o homem e os animais, as enzimas em seus corpos, as quais provocam a digestão, assimilação e oxidação dos materiais, são idênticas. Os hormônios ou mensageiros químicos do homem são os mesmos que os dos animais.

Encontramos ciclos importantes de substâncias químicas intimamente associados com a vida de plantas e animais. Ciclos como o do oxigênio, do carbono, ou o ciclo do azoto. No ciclo do azoto, por exemplo, a planta verde leva a água a partir do dióxido de carbono do solo e do ar, e por meio de energia de luz e a ação catalítica de clorofila, fabrica açúcar simples. Esse açúcar é então combinado com nitratos do solo e a planta forma aminoácidos. Esses aminoácidos são utilizados pela planta para a construção de novas protoplasmas e para a substituição de porções da substância viva que tenham sido oxidadas.

Alguns desses ácidos também são construídos em proteínas, por exemplo, nas sementes de leguminosas em amadurecimento. O animal come essas proteínas, digere em aminoácidos, e, em seguida, reconstitui para o protoplasma de seus próprios tecidos. Resíduos azotados do corpo do animal, bem como resíduos de plantas, são decompostos por bactérias e fungos.

Em seguida, as bactérias nitrificantes começam a construir essas substâncias simplificadas em nitritos e, eventualmente, em nitratos que estão prontos para ir ao redor do ciclo novamente. A extrema importância desse ciclo está no fato de que ele é a fonte de todos os materiais de crescimento e reparação para os seres vivos. 

Esses organismos de deterioração e as bactérias nitrificantes, em cooperação com bactérias fixadoras de azoto no solo e sobre as raízes das leguminosas, são responsáveis pela renovação constante da fertilidade do solo, ou seja, sua fertilidade no que respeita aos nitratos todo-importantes. Sem eles as plantas não seriam capazes de crescer. À luz desses fatos, parece razoável supor que o ciclo do nitrogênio foi instituído pelo Criador no início.

Se não fosse o caso, teria sido necessário que o Criador desenvolvesse uma espécie de barril de nitrato para reconstituir, através de um processo sobrenatural, o fornecimento constante de encolhimento desse componente. Em um mundo projetado para durar para sempre, a instituição de um ciclo de nitrogênio seria ainda mais importante no contexto do cuidado de Deus com Sua criação.

O fato é que existe a necessidade de organismos de deterioração, tais como leveduras, fungos e bactérias, para quebrar esses materiais em substâncias mais simples para que eles pudessem voltar ao ciclo novamente. Parece muito necessário concluir que, a fim de manter a terra organizada a partir dos produtos de suas próprias formas orgânicas imortais, o Criador deva ter instituído o ciclo do nitrogênio na criação. 

Alguém pode questionar que os animais e o homem não produziam resíduos no estado original, porque tal ideia exigiria um sistema de esgoto no Paraíso, aparentemente uma ideia repugnante. Mesmo se há alguma conexão aqui, eu não gostaria de fazer muitas suposições sobre os tipos de corpos ou como será a mudança para um estado imortal. Podemos imaginar com bastante precisão o estado original, porque esta é a mesma Terra, e mortal, em que Adão estava inserido. O corpo humano na nova Terra pode diferir do seu estado atual, e até mesmo a partir de seu estado original, de muitas maneiras. No entanto, parece razoável supor que o estado restaurado do homem e dos animais será análogo ao que foi originalmente criado. Pelo menos esse parece ser o caso em matéria de alimentos.

A eliminação de resíduos não precisa estragar um Éden. Vemos muitos animais hoje com hábitos curiosos de eliminação de resíduos. Possivelmente essa seja uma sombra de um instinto bem desenvolvido que foi usado por animais no Éden. A simplicidade do cotidiano de Adão e Eva e sua proximidade com a terra e seus produtos são difíceis para entendermos sem criar uma grande complexidade e artificialidade. Muitas vezes encontramos indivíduos que pensam que os remidos passarão a eternidade sentados numa nuvem tocando harpa. Mas será que os santos farão somente isso no Céu?

Da mesma forma, alguns são propensos a assumir que o estado original era uma existência etérea, longe das realidades da vida. Mas vemos o contrário. Foi extremamente a existência real e muito perto da natureza que suas vidas foram vividas na mesma terra sobre a qual caminhamos, uma terra cujos processos foram, se julgado à luz da situação atual, inteiramente exercidos por leis naturais, que são os instrumentos de Deus. Parece muito razoável, de fato, bastante necessário assumir que o poder de sustentação do Criador foi manifestado nos mesmos ciclos vitais que em nossos dias e ainda mantém as substâncias químicas essenciais sempre renovadas para que a vida possa continuar.

E suponhamos que os seres humanos possuíssem originalmente trato digestivo, de tal modo constituído para digerir completamente todas as partes dos grãos, frutas, nozes, vegetais e ervas que compunham sua dieta. Isso exigiria mais enzimas digestivas do que aquelas que o homem agora possui. Ao considerar essa questão, é muito necessário que tenhamos em mente as profundas mudanças corporais que seriam necessárias para mudar um sistema construído tal como os animais possuem hoje.

No caso do homem, o cólon com sua abertura, os rins, os ureteres e a bexiga teriam de ser adicionados, para não listar estruturas como vasos sanguíneos e nervos que teriam que ser fornecidos. O tubo digestivo moderno em si é construído com todos os recursos para lidar com matéria indigesta, isto é, trabalhá-la e passá-la adiante. De fato, a maior parte de tais partes indigestas de nossa comida, como a celulose, é quase tão importante para a saúde quanto os próprios alimentos. O significado de nosso atual sistema digestivo e excretor é que se ele não foi originalmente criado com a presente estrutura, uma segunda criação algum tempo depois que o pecado entrou teria sido necessária.

A conclusão desse problema é bem simples: Adão e Eva iam ao banheiro. Comiam plantas e processavam essas plantas em seus sistemas complexos digestivos. A “morte” dessas plantas/células não era problema e esse ciclo perfeito para manter a criação foi feito pelo próprio Deus. Assim, pode-se concluir, com razão, que as plantas não possuem vida bíblica. Se elas não estão “vivas”, os animais que comem plantas na criação original não causariam a morte. Então, o que possui “vida”, de acordo com a Bíblia, parece ter certos parâmetros. Eles são: consciência, carne, respiração e sangue.

(Alex Kretzschmar, baseado no texto “Studies in Creationism”, de Frank Lewis Marsh)

Referências:

[1] Stambaugh, James, Creation’s original diet and the changes at the Fall, TJ 5(2):130–138, 1991.

[2] Rubim, M. A. L. 1995 Ciclo de vida, biomassa, e composição química de duas espécies de arroz silvestre da Amazônia Central. Dissertação de mestrado, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/ Fundação Universidade do Amazonas. Manaus, Amazonas. 126 p.

[3] Ross, Hugh, The Fingerprint of God, Promise Publishing Company, Orange, CA, p. 154, 1989.

[4] Hamilton, ref. 37, vol. 1, p. 190, sv Dam.

Via www.criacionismo.com.br

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