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Uma comissão independente criada na França para apurar casos de abuso sexual na Igreja Católica divulgou esta semana um relatório sobre as denúncias recebidas nos seus primeiros 17 meses de funcionamento. Durante esse período, a plataforma telefônica da entidade foi acionada por 6.500 vítimas ou testemunhas de agressões feitas principalmente contra menores.

Em junho deste ano, o presidente da Comissão Independente sobre abuso sexual de menores na Igreja Católica (Ciase, na sigla em francês), Jean-Marc Sauvé, havia estimado em 3.000 pessoas o número de vítimas de agressões na França, desde 1950. Mas o balanço divulgado esta semana supera as estimações.

Segundo Sauvé, 87% das 6.500 denúncias dizem respeito a agressões cometidas contra menores, um terço deles em vítimas com idades entre 6 e 10 anos. Os outros 13% são casos de crimes contra maiores de idade, entre os quais um terço eram jovens seminaristas em formação.

A comissão constata que muitos dos casos revelados são antigos. Metade deles aconteceu entre 1950 e 1960, 18% nos anos 1970, 12% nos anos 1980, 7% nos anos 1990, 3% nos anos 2000 e 5,7% nos últimos dez anos. Sauvé também divulgou detalhes sobre o perfil das pessoas que denunciaram os crimes, sejam elas vítimas ou testemunhas: mais de 30% têm mais de 70 anos e metade têm entre 50 e 69 anos.

O relatório também revela que em 14% dos casos denunciados, uma queixa já havia sido apresentada. O que leva a crer que boa parte dos crimes não haviam sido revelados até agora ou nunca abriram a porta para algum tipo de processo na Justiça.

Agressões nas escolas e colônias de férias

A comissão constatou que mais de um terço das agressões (34%) aconteceram dentro de estabelecimentos escolares. Outros 21% das vítimas foram agredidas em aulas de catequismo e 12% durante eventos de grupos de jovens ou colônias de férias.

A Conferência dos bispos da França e a Assembleia dos institutos e congregações religiosos (Corref) estudam atualmente a criação de um dispositivo de reconhecimento – entre eles financeiro – do sofrimentos das vítimas.

Segundo Sauvé, existe atualmente “uma necessidade profunda de reconhecimento individual e coletivo das vítimas e do que elas viveram”. No entanto, isso “não se resolve apenas com uma indenização financeira em troca do silêncio”.

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